SÃO PAULO - Apesar das medidas baixadas pelo governo para tentar esfriar a economia, o setor automotivo registrou novos recordes para o mês de fevereiro e cresceu mais de 20% em vendas e produção, comparado ao mesmo período do ano passado. Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) apontam que as montadoras produziram 310,65 mil veículos contra 261,8 mil em janeiro, um aumento de 18,7%, e cresceram 24% na comparação com o ano anterior Já o licenciamento de carros novos cresceu 12% de um mês para o outro, quando foram vendidas 274,2 mil unidades, e 24,1% frente a fevereiro de 2010.
De acordo com a Anfavea, as razões do desempenho se devem ao crescimento de 19,4% do volume de crédito em janeiro de 2011, à queda da inadimplência, que ficou em 2,6% contra 4,3% no ano passado, e ao índice de confiança do consumidor, que subiu nove pontos (dados da FGV). No caso das exportações, apesar da alta de 16,6% em fevereiro e de 31,4% na comparação com o mesmo período do ano anterior, a balança comercial do setor fechou o mês com saldo negativo de 47 mil unidades, por "problemas de câmbio e de competitividade", afirmou o presidente da Anfavea Cledorvino Belini.
A fartura de crédito antes do pacote do Banco Central de restrição ao consumo, que permitiam ao consumidor investir em modelos mais potentes, levaram os veículos 1.0 à queda na participação nas vendas, que ficaram abaixo da média de 50% pelo terceiro mês consecutivo. Em fevereiro, as vendas desses automóveis representaram 45,8%, o menor resultado da série histórica da Anfavea desde 1995. Apesar de Belini admitir que as vendas vêm caindo principalmente entre os consumidores de menor renda após o lançamento do pacote do BC, para ele as medidas têm "um tempo natural de maturação, de quatro a cinco meses".
- Por enquanto o mercado continua sólido. O governo tem tomado medidas como aumento de juros, aumento da entrada, redução das prestações... Porém, se nós crescemos mais de 20% nesses dois primeiros meses, projetamos crescer só 5% este ano. Ou seja, a situação ainda não é preocupante, já que estamos nos preparando para enfrentar os reflexos dessas medidas - disse. Belini também elogiou o PIB de 2010, mas frisou que o setor se preocupa com os altos e baixos do índice. - É preferível manter a estabilidade, por isso apostamos em um PIB entre 4,5% e 5% em 2011 - disse.
Fonte:O Globo |